Florybal
Sou #TeamLugano na rinha de franquias de chocolates de Gramado
Gramado é brega. Mesmo que você tenha achado lindo, que sua criança tenha amado, que você tenha se sentido abraçado por toda ancestralidade alemã de lá… Não duvido que seja legal, até porque eu adorei quando fui, mas é brega.
C a f o n a.
Mas tem ótimos chocolates (eu gosto. Não, não comi o bean to bar de Piraporinha do Norte, feito com cacau orgânico sobrevivente da epidemia de vassoura-de-bruxa dos anos 90).
Domingo eu tava morgada com Daniel e me deu vontade de comer o brownie* da Lugano, que é bem molhadinho e vem com muito chocolate derretido para jogar por cima. Aí ele me lembrou que eu tinha mandado o post da inauguração da Florybal, ali na Zaqueu Brandão na altura do Bode Beer, e resolvemos mudar o rumo e testar lá.
Primeiro, parece uma-portinha-na-Vila-Madalena-que-você-vê-e-não-dá-nada, porque só tem duas mesinhas na frente e nome “Florybal” discreto. Mas tinham muitos carros na frente e a região não é atrativa para tanta gente assim nos domingos a tarde (pensei).
Entramos e o local é imenso. Tem um salão grande e agradável e um quintalzão com um monte de mesa a céu aberto, gostei. Observei que tem uma fabriquinha de chocolate no fundo para as crianças. O vizinho tem uma mangueira LINDA que não faz parte da Florybal, mas achei que deveria pontuar.
Tava lotado, mas logo sentamos porque só éramos dois — acredito que a nossa mesa era a última disponível — e eles têm aquele sistema que tem um botãozinho na mesa que vibra no pulso do atendente. Odeio (tópico para a terapia).
O cardápio é de papel :), mas tava se despedaçando :( . Tem uns cafés diferentes tipo o espresso romano que Daniel pediu e tem coado. Tem uma parte muito grande de hambúrgueres e eu vi no Instagram que são do tipo de comer de garfo e faca — ou seja: não são hambúrgueres. São elementos de um prato empilhados e montados na vertical, finalizados com um pão de cada lado.
Na parte de sobremesas, me decepcionei. Tinha brownie, mas poucas coisas com chocolate (lembrando que é a loja de uma fábrica de chocolate).
Pedimos o brownie com sorvete, uma porção de pão de queijo mineiro tradicional, um espresso romano e um espresso normalzinho.
O meu brownie com sorvete tava ok. Não sofri comendo, mas definitivamente, não pode substituir o brownie da Lugano. É um brownie até bom, não é seco e esfarelento, mas tem mais gosto de bolo do que de chocolate (lembrando novamente que estávamos numa loja de chocolate). Até no cheiro o chocolate não sobressai, o que me leva a pensar que é feito com chocolate em pó (que eu acho que não é um erro, mas não fica tão úmido nem tão intenso).
O sorvete que acompanhava o brownie é só um sorvete de creme de supermercado, gosto de doce e gordura trans. Tem seu valor e sua hora, que não eram compatíveis com o valor do brownie e um domingo a tarde.
A calda de chocolate estava numa textura de creme de leite de caixinha, ou seja, provavelmente usaram o creme de leite com espessante para fazer render o chocolate que derreteram. Findou numa textura que não é de calda nem de chocolate derretido. O gosto também não era ruim, mas não senti a intensidade do chocolate mais uma vez. E, pasme: trata-se de uma calda de chocolate (como propuseram no cardápio) servida numa sobremesa de uma loja de chocolate.
(@alcantara_docerie, favor ratificar ou corrigir minhas considerações sobre o brownie e a calda).
Os pãezinhos de queijo: decepção. Daniel quis pedir por conta de um molho de bacon que disseram que acompanharia, mas que nunca veio e, no final, a moça que nos atendeu disse que estavam sem (mas não avisaram e chegamos a queixar a atendente sobre o molho de bacon). No fim, era só mais uma porção de pão de queijo mineiro de saco e murchos porque foram assados há muito tempo.
O espresso romano é um espresso maior, mais suave, com rodela de limão. Achei que viria tipo um copo de coca-cola, mas a rodela veio fora para você espremer. Ou seja: sem qualquer trabalho para o barista (se houver). Ele veio numa xícara maior do que a minha, que era para um espresso curto comum, porém, no cardápio, indicava que o espresso romano teria o mesmo tamanho do espresso curto (40ml). O que até faria sentido, porque a xícara grande diluiu demais tudo e findou que não sentimos o gosto de limão. Ficou só um espresso.
O atendimento foi legal, apesar de muuuuuuito cheio. Desconfio que a moça que nos atendeu, inclusive, já trabalhou na Lugano, tenho essa lembrança.
Portanto, sem muitas palmas para a Florybal. Poupe sua tarde de domingo (ou me chame para sofrermos novamente, quero provar um pudim de queijo com calda de goiabada que tava bonito na vitrine).
*O brownie da Lugano poderia ser um tijolo pintado de marrom que ficaria bom com a calda que eles colocam, porque é chocolate *bom* derretido. Mas ainda assim é um ótimo brownie, úmido e intenso, como eu acho que deve ser. É o único que eu comi em Aracaju que se compara com o meu (por favor, manifestem-se os leitores que já comeram o meu brownie) e até o momento é o único que eu indico. Pretendo fazer um post de brownies de Aracaju, mas preciso me decepcionar mais por aí para escrever.



O espaço é incrível, a comida nem tanto. Atendimento cuidadoso, porém mal dimensionado.
O espaço kids parecia ser muito bom porque vi três crianças saindo de lá chorando carregadas, além de ser bem visível da maior parte das mesas (ponto importantíssimo para mães e pais que querem aproveitar a comida).
Voltaria para provar esse pudim e o quiche de bacon. De preferência em um dia e horário vazios para aproveitar melhor o pátio e a mangueira do vizinho.